15 de julho de 2010

Famílias de Piratini são aterrorizadas por “falsos seqüestros”


Comerciante Tailor Mota foi vítima do crime no último final de semana

No ano passado, Piratini registrou casos de pessoas que foram aterrorizadas com a prática de falso seqüestro, crime que geralmente ocorre de dentro de um presídio na tentativa de extorquir as vítimas anunciando que um familiar se encontra em poder deles e exigem um resgate para a libertação, sob a ameaça de execução.

No último sábado (10), as quadrilhas voltaram a agir e foram responsáveis por cinco tentativas de extorsão, colocando pessoas idosas em situação de pânico por acreditarem que seus filhos haviam sido capturados. A reportagem do Jornal 1ª Folha conversou com duas dessas famílias que passaram momentos de desespero e terror psicológico até descobrirem que tudo era uma grande farsa.

Eram 21h de sábado quando o telefone tocou em uma das residências da Avenida 6 de Julho. Ao aceitar a ligação a cobrar, a aposentada Zaíra Pereira, de 67 anos, ouviu de uma voz masculina que sua filha Fabiana estava em poder dos bandidos e, para confirmar a informação, os bandidos passaram o telefone para uma mulher em prantos, que dizia ”mãe, estou dentro de um carro com dois homens armados. Me ajuda!”.

A mãe conta que o desespero foi enorme já que não foi possível pelo conteúdo e por se tratar de uma filha, analisar e se dar conta de que a voz não pertencia a Fabiana Pereira.”Entrei em pânico já que eles ameaçaram matar ela.”,contou.

Na segunda, o pai de Fabiana, Carlos Raimundo Pereira, 76 anos, tentou ganhar tempo e negociou com os bandidos que pediam R$ 30 mil para libertá-la, e em caso de não cumprimento confirmaram que a filha seria morta. ”Ofereci três cheques sem fundos, já que não possuo esses valores, para que eles soltassem nossa filha”, conta o aposentado.

Ao acionar o genro e o filho, ambos policiais militares, a farsa foi descoberta quando os pais foram informados que a filha estava bem e naquele momento s encontrava em uma festa. ”Quando eles ligaram outra vez para acertarem a entrega do valor, meu filho atendeu. Como a Fabiana estava ao nosso lado, mandou que eles a executassem, então perceberam que havíamos descoberto a mentira e o drama acabou”, completou o pai.

Um pouco mais tarde, por volta das 23h, a vítima foi o comerciante Tailor Mota Lopes, 80 anos, que foi acordado pela ligação com o mesmo conteúdo. ”Uma mulher do outro lado da linha chorava muito e me chamava de pai informando que estava sendo assaltada e seqüestrada e o homem exigia R$ 30 mil para não matá-la”, descreveu o comerciante à reportagem.

Tailor também negociou com os bandidos e conseguiu baixar o valor para R$ 3 mil para impedir que a filha, Débora Oliveira Lopes, que mora em Pelotas, não fosse executada. Com a ajuda da irmã, que é sua vizinha, e ao acionar a Polícia, a filha foi localizada e mais uma vez o falso seqüestro não deu certo. Ligamos para o número que ficou salvo no sistema de identificação do telefone do comerciante e este foi constatado inexistente.

Foto e informações: Nael Rosa - Jornal A 1ª Folha

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