Na sexta-feira, dia 9, veiculamos a reclamação da leitora Elizete Almeida Noguez, que demonstrava sua indignação quanto ao serviço de confecção de carteira de identidade, oferecido junto ao prédio da delegacia de Polícia Civil.“O cidadão vai confeccionar a 1ª ou fazer a 2ª via do seu RG no posto de identificação da Polícia Civil de Canguçu e a atendente diz que não tem material, que o computador está com defeito, manda passar em outro horário. Depois você retorna e deve ir em outro dia, e assim segue a enrolação e o descaso com indivíduo, além da maneira hostil e sem qualquer generosidade com que pessoas idosas ou do interior, que sabidamente têm mais dificuldades de acesso e entendimento, são tratadas.
Sabemos que, muitas vezes, órgãos públicos têm carência de material, contam com funcionários desmotivados em função dos maus salários, mas acredito que isso não justifica grosserias e má vontade no atendimento por parte de pessoas que tem como função prestar atendimento digno a população”, conta Elizete.
Na segunda-feira, dia 12, a atendente do Posto de Identificação, Denise da Cunha Borges, esclareceu alguns pontos da função que desempenha no local há quase quatro anos.“A documentação que recebemos para confecção de carteira de identidade vem de Porto Alegre e chega na regional de Pelotas, que por sua vez distribui um número limite para os postos do interior (entre eles Canguçu). Algum tempo atrás, quando faltavam documentos para atendermos as pessoas, tirávamos cópias de documentos não preenchidos para que todos fossem atendidos, pois era permitido. Isso mudou, e hoje não podemos mais fazer isso (cópias de documentos limpos, não preenchidos) e quando o material acaba temos que esperar por uma nova remessa.
Trabalho sozinha aqui, e somente na última semana confeccionamos 80 carteiras de identidade. Temos o critério de dar prioridade ao atendimento de pessoas que precisam pegar ônibus para o interior, mas quando o sistema fica fora do ar ou falta material, ficamos impossibilitados de continuar o trabalho.
Sobre a taxa paga ao Conselho Comunitário Pró-Segurança Pública (Consepro), trata-se de uma contribuição voluntária, não é uma taxa obrigatória. Acontece que é o Consepro que mantém em atividade o Posto de Identificação em Canguçu, e é importante a colaboração do cidadão para que continuemos a disponibilizar deste serviço em nossa cidade. No entanto, nunca falamos em taxa obrigatória a ser paga”.
Elizete Almeida Noguez acredita que o registro da reclamação contribuiu para uma mudança no atendimento prestado no Posto de Identificação:"Minha reivindicação foi endossada por diversos comentários de leitores que vivenciaram situações semelhantes a que relatei. Pois gostaria agora de partilhar com os leitores a ações resultantes de nossas reivindicações. O delegado Gilmar Mesquita, responsável pela DP local, me convidou a detalhar o fato ocorrido, uma vez que não tinha conhecimento dessas reclamações, para que pudesse tomar as atitudes cabíveis para garantir um atendimento de qualidade a população. Mesquita me assegurou que tem máximo interesse em esclarecer o assunto, além de salientar que recebe com muito bons olhos atitudes como a nossa, que visam alertar para problemas de interesse da comunidade em geral. Sua atitude rápida e de boa vontade em esclarecer esses fatos serve como incentivo para que a cada vez mais sejamos parceiros das entidades publicas na gestão de serviços com qualidade e equidade social”, avaliou a leitora.