18 de maio de 2010

A vegetação que toma conta da represa de abastecimento de água é prejudicial à saúde?


Biólogo ressalta que em um sistema onde não há monitoramento administrativo da poluição, as Gigogas podem se reproduzir desenfreadamente e causar um desequilíbrio ambiental sério

O biólogo José Carlos da Fonseca Maciel traz informações sobre as Gigogas (conhecidas aqui no Sul como “Marrequinhas”), que estão tomando conta da represa de abastece de água a cidade de Canguçu.

A dúvida sobre o risco de a vegetação provocar males a saúde é explicada pelo profissional:

As Gigogas são também conhecidas como iguapé, aguapé, baronesa, lírio d’água, orelha de jegue, jacinto d’água e miriru, marrequinha dentre outros, a gigoga ambientalmente auxilia na alimentação e reprodução de diversas espécies aquáticas. (macrófitas aquáticas (macro= grande; fita= planta).

Elas são flutuantes e preferem os rios de fluxos lentos, os lagos e lagoas, mas também habitam brejos e densos esgotos. As espécies mais comuns no Brasil são cientificamente conhecidas como Eichornia crassipes e Eichornia azurea e poderíamos chamá-las de “vegetal-água”, pois aproximadamente 95% de sua massa são compostos de água.

As gigogas são originalmente da América Central e no Brasil, seu habitat original são os rios da Amazônia, onde possuem extrema importância, como abrigo natural para microrganismos, moluscos, insetos, peixes, anfíbios, répteis e até aves e, ainda servir de alimento para peixes, peixe-boi e alguns mamíferos aquáticos herbívoros.
Sua reprodução torna-se exponencial na ausência de seus predadores e, principalmente nos ambientes aquáticos ricos em fósforo e nitrogênio, presentes em grandes quantidades nos ambientes poluídos.


Por outro lado, estudos revelaram que os aguapés, quando cultivados de forma correta, podem despoluir 1 hectare, esgotos brutos correspondentes a uma população aproximada de 2.500 habitantes

Danos e Benefícios

É considerada uma planta daninha em canais de irrigação, represas de abastecimentos e hidroelétricas, rios e lagoas. Embora não sejam tóxicas, mas com a grande massa produzida em suas desenfreadas proliferações, podem causar danos ambientais e prejudicar a vida aquática. Ao cobrirem as superfícies de lagos e lagoas impedem a entrada da luz solar, comprometendo a realização da fotossíntese ou em sua putrefação podendo ocasionar baixa oxigenação da água o que desencadeia uma série de danos à micro e macro biota aquática (plânctons e peixes).

É também cultivada como planta ornamental por apresentar repetidas floradas exuberantes coloridas o ano inteiro. Suas raízes com pelos são altamente eficientes na retenção de partículas, possibilitando a remoção de sólidos em suspensão, metais pesados e micropoluentes orgânicos.

É um bioindicador de lançamentos de esgotos sem tratamento nos corpos d’água. Alguns comparam a proliferação das gigogas com uma digestão mal feita. Estudos revelaram que os aguapés quando cultivados de forma correta podem despoluir 1 ha., diariamente os esgotos brutos correspondentes a uma população aproximada de 2.500 habitantes. Então manejo adequado, pode ser um agente de despoluição, porém quando o manejo é inadequado, pode se transformar em um problema ambiental.
Podem ser utilizadas como adubo (simples ou em misturas com produtos químicos ou estrumes) beneficiando os solos principalmente os arenosos, elevando os teores de cálcio, nitrogênio, carbono e magnésio. Utiliza-se também como matéria prima nas indústrias de papel e plástico; como fontes de proteínas, gás e álcool combustíveis; como forragem no complemento nutricional de suínos e bovinos.

Os índios se beneficiavam das gigogas como uma planta medicinal. Suas folhas úmidas eram utilizadas contra a febre e insolação. Aproveitadas ainda em infusões, serviam como um poderoso sedativo para dores em geral. Em um sistema onde não há um monitoramento administrativo da poluição pode causar reprodução desenfreada da espécie causando um desequilíbrio ambiental sério, mais prejudicando que ajudando o meio ambiente.

4 comentários:

Taine disse...

Muito boa a matéria Vilela! Parabéns

Meio Ambiente e Saúde disse...

Gostaria de frizar Caro amigo vilela!
Que o título desta matéria deveria ser:

A vegetação que toma conta da represa de abastecimento de água PODE VIR A SER prejudicial à saúde?

Pois como coloquei, ela tem um traballho benéfico somente se não houver um acompanhamento de sua reprodução pode trazer maleficios ao meio e a saúde.

José Carlos da Fonseca Maciel
Biólogo

Meio Ambiente e Saúde disse...

desculpa não havia notado a pontuação no final do título desta matéria (?)

Anônimo disse...

mto pior q isso e que varias casas ´que foram construidas nos prolongamentos da getulio vargas,e que a prefeitura nao fez rede de esgoto para essas casas e o esgoto das mesmas sao largados dentro da sanga que atravessa a rua assis brasil, ao lado da quadra de areia q tbm e da prefeitura e essa sanga leva os esgotos dessas casas para dentro da represa, isso sim e mto pior q essas plantinhas ai q pelo menos sao da natureza, imagina o esgoto de diversas casas... sera q ´vai ter tratamento que chegue a tempo??!!!!!e c quiser conferir o q estou dizendo, basta ir la pra ver.