16 de novembro de 2008

Passeata pacífica, audiência fervorosa

Familiares e amigos vestiram a camiseta confeccionada para a passeata e lotaram as instalações da Câmara de Vereadores
Se a passeata de protesto aconteceu de forma tranqüila, o mesmo não pode ser dito da audiência pública que tratou da fragilidade da segurança no Município, que contou com a presença de autoridades políticas e da segurança da Região e do Estado. Os principais pronunciamentos partiram deles: vereadores Arion Braga, Aparício Rodrigues, e Alex Silva, deputados estaduais Pedro Pereira e Nelson Härter, deputado federal Afonso Hamm, Coronel Idiomar da Brigada Militar, e Prefeito Cássio Mota.
Confira a seguir, em ordem cronológica, trechos do posicionamento apresentado por algumas das autoridades presentes:
Vereador Arion Braga
O pronunciamento do vereador Arion Braga foi, disparado, o mais contundente:
“As autoridades aqui presentes estão vendo a necessidades de mudança na segurança, como demonstra a mobilização de toda a população. Hoje, aqui, vamos ter que dar um basta na situação em que estamos vivendo. Há 90 dias fomos até o gabinete do então secretário de Segurança do Estado José Francisco Mallmann pedir socorro ao povo de Canguçu e fomos recebidos com descaso por ele e pelo Governo do Estado, que não enviou ninguém até o Município para tratar a questão“.
Sobre a presença do Batalhão de Operações Especiais (BOE) no centro de Canguçu para zelar pela segurança das autoridades, Arion disse:
“Quero ver o que todo este aparato de policiais que encontra-se na cidade, com carros e ônibus, vieram fazer. Eles não vieram defender o povo ordeiro e pacífico de Canguçu. Quero ver se estes policiais vão permanecer em Canguçu para correr os bandidos. Hoje tem que ficar definido isto”.
Deputado federal Afonso Hamm
Afonso Hamm salientou a atitude tomada pela comunidade canguçuense:
“Não há nada mais importante contra a violência como a mobilização da população, as autoridades deverão confirmar isso”.
Deputado estadual Pedro Pereira
Bastante cobrado pela dupla de vereadores Arion Braga e Alex Silva, o parlamentar canguçuense se colocou a disposição para trabalhar em prol da segurança do Município:
“Todos nós somos responsáveis por esta situação. Não há um dia sequer que eu não visite uma das secretarias do Governo do Estado para solicitar algum tipo de serviço para o município de Canguçu. Me coloco a disposição para resolvermos estes problemas de insegurança, queremos respeito por este povo”.
Coronel Odiomar, da Brigada Militar (BM)
O Coronel, que iniciou sua carreira militar em Canguçu, exigiu uma definição para as próximas horas, além de falar sobre os problemas estruturais da corporação:
”Precisamos tornar prático aquilo que propormos. Se hoje estamos aqui, temos que sair daqui levando a solução prática. Não adianta adiar a decisão para daqui dois ou três meses. O número de policiais instalados em Canguçu deve estar a disposição da sociedade, independentemente da estrutura de que dispõem”.
Deputado federal Nelson Härter
O deputado de Pelotas questionou a função dos Direitos Humanos perante a sociedade:
“Hoje existe uma coisa chamada Direitos Humanos que está aí para defender os bandidos, e não os seres humanos de bem. Pergunto para o Coronel Idiomar se a Brigada Militar pode desenvolver seu trabalho corretamente mediante esta constituição que protege os bandidos? Não pode!”.
Prefeito Cássio Mota
O chefe do executivo municipal fez duras críticas a atuação dos órgãos de segurança nos limites da cidade:
“A população só quer saber de uma verdade: a pura justiça. Nós queremos os policiais caminhando na rua General Osório, pois não é um grande pedaço, queremos estratégias. O Comandante da BM não é encontrado aos finais de semana. Um vez, precisei recorrer as autoridades devido a um acontecimento na Prefeitura em que eu sabia quem era o responsável e fiquei de mãos atadas. Eu mesmo tive que tentar localizar a pessoa, mas não obtive sucesso. Infelizmente, de concreto, há apenas a formatura de PMs que vai acontecer em 2009, e só assim poderá ser encaminhado um profissional para Canguçu”.
Tenente Coronel Marco Antônio Moura, representante do secretário da Segurança Pública do Estado Edson Goularte
O pronunciamento mais aguardado da tarde não trouxe esperança a ninguém. Marco Antônio Moura falou, falou, e não apresentou sugestões ou estratégia de solução para a segurança do Município. Tratou apenas de delimitar os problemas funcionais encontrados pela segurança em todo o Brasil.
Vereador Alex Silva
Considerado um dos líderes do Governo Cássio Mota, Alex não poupou críticas ao representante do secretário de Segurança do Estado:
“Senhor presidente da Associação Comercial Alexandre Dielo: alguns comerciantes estão fechando seus estabelecimentos por ter medo de serem as próximas vítimas dos crimes. Isso não pode acontecer. As cidades pequenas ficam a mercê dos bandidos, que dormem o dia todo para assaltar durante a noite. Estou entristecido com as declarações do representante do secretário de Segurança Pública do Estado, pois vim até aqui esperando encontrar soluções e não ouço nada de positivo em relação a isso da parte da comitiva estadual”.
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